segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os quatro temperamentos humanos – Parte III




Existem quatro temperamentos humanos distintos e cada pessoa possui um único que é resultante da combinação deles. Nesta edição, vamos focar mais precisamente nas qualidades inatas destes e em seus reflexos no humor das pessoas, já que são construídos a partir de dois pilares fundamentais: energia e excitabilidade.

 Por energia devemos entender a disposição pessoal para utilizar do poder e da força. Por excitabilidade, compreenderemos a sensibilidade a estímulos externos. Vistos a partir de um plano cartesiano, os temperamentos se polarizam ao definirem afinidades entre quadrantes vizinhos e oposição entre os polos. Consultorias em gestão de recursos humanos nas empresas nos fazem entender mais sobre os temperamentos de duas formas:

 O primeiro é o melancólico – terra -, possuidor de alta energia e baixa excitabilidade. Voltado para dentro de si, camufla seu potencial energético. É o mais questionador, filósofo, planejador. Movimenta a vida com as idéias. Costuma ser perfeccionista, sensível, analítico, abnegado e amigo leal. É introvertido e raramente se impõe. Para ele, a vida é difícil e não tem muitos enfeites. Costuma considerar que temos que pensar com mais seriedade.

Fisicamente, o melancólico possui olhos sem brilho e pálpebras pesadas, que lhe conferem uma aparência cansada, especialmente pela manhã. Na postura, gosta de manter a cabeça inclinada para frente ou para os lados e os ombros caídos. Seu andar é pesado, refletindo o peso gravitacional que o elemento terra lhe dá.

É muito intuitivo e têm forte apego ao passado. Não foge do sofrimento, mas por outro lado, parece que ele o atrai. Aprofunda-se nos assuntos, é persistente, fiel e cumpridor dos deveres.

Chopin, famoso músico, é um forte exemplo de melancólico. Também, a música ‘Nem um dia’ de Djavan se estrutura numa atmosfera de evidente melancolia. Na Bíblia, o representante é Moisés.

No trabalho, orienta-se pelo horário, exige altos padrões de desempenho, é econômico, ordeiro, gosta de gráficos e tabelas, é minucioso e detalhista.

Essa típica energia interior faz do melancólico um artista nato para artes mais intimistas como a poesia e a pintura. Tem vocação para a educação, à pesquisa e à invenção. Seu olhar profundo lhe dá compreensão superior na observação de fenômenos naturais e relacionamentos humanos. Porém, carece de apoio externo para realizar suas idéias.

A segunda forma é a do sanguíneo – ar -, possuidor de baixa energia e alta excitabilidade, é voltado para fora, dotado de elevado dinamismo e superficialidade. É uma pessoa amigável, calorosa e simpática. Atrai as pessoas como se fosse um imã. Tem boa prosa, é otimista e despreocupado. Faz o tipo que alegra a festa. Adapta-se como ninguém ao meio ambiente e se ajusta aos sentimentos alheios. Seus olhos brilham e sua boca está sempre pronta para falar alguma coisa.

Caracteriza-o ainda o andar leve e flutuante, como se desconsiderasse a gravidade. Assim como o ar, seu elemento, o sanguíneo, preenche todos os espaços e o induz a fazer várias coisas ao mesmo tempo. Não tolera normas e rotinas, vive o presente exterior e tem dificuldade de se fixar em um assunto. Reage e se empolga com estímulos externos.

A aptidão pela música é tão forte que nos permite confirmar que o som só se propaga através do ar, seu elemento. Mozart, compositor, é um clássico exemplo, com sua genialidade e leveza musical. Típica, também é ‘A festa’ de Ivete Sangalo. Parece ser o temperamento majoritário da Bahia, com sua festa inesgotável e a frenética renovação de ritmos, danças e ausência de rituais disciplinados, exceto o de mandar a galera ‘tirar o pé do chão’.

A capacidade de adaptação aliada ao desejo de ser o centro das atenções faz do sanguíneo um artista nato do teatro e da música. Na Bíblia, Eva revela a natureza desse temperamento ao se deixar seduzir inconsequentemente.

No trabalho, é excelente vendedor, relações públicas, orador, recepcionista, enfim, desenvolve bem atividades que envolvem interação rotativa entre pessoas.

Como se vê, opostamente ao melancólico está o sanguíneo. Assim, convém evitar a interação forte entre ambos nos ambientes de trabalho e escola, ou um irá exaurir o outro.

(continua)  


Publicado no jornal Cinform em 01/08/2011 – Caderno Emprego

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