segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Os quatro temperamentos humanos – Parte IV



     Ao final da nossa apresentação sobre o tema, apresentamos nesta edição mais dois temperamentos. O calmo fleumático e o forte colérico, opositores naturais. O fleumático – água - é possuidor de baixa energia e baixa excitabilidade. Voltado para dentro de si, está sempre ligado no seu próprio metabolismo. É calmo, acessível, agradável, e por isso, trabalha bem com os outros. É uma pessoa eficiente, conservadora, digna de confiança e espirituosa.


Fisicamente, o fleumático possui, em geral, olhos pequenos e sem brilho, mas o olhar, diferentemente do melancólico, é disposto e amigável. No seu rosto, tudo tende mais para o arredondado, o esférico, o que se traduz em uma expressão facial amável. Seu andar é bamboleante tal como se faz ao pisar na água. 


Gosta de se sentar para observar a pressa dos outros, sem se envolver diretamente nessas atividades e achando tudo divertido. Caracteriza-se também por adorar viver nos processos da gustação e desfrutar os importantes processos de ingestão de alimentos. Tende à obesidade e é fortemente ligado nos processos vitais. Vê o corpo como um laboratório de processamento do humor, isto é, se o metabolismo está bom, assim também estará o humor.


Vive muito no presente interior, tem facilidade de observar tudo o que se passa à sua volta, mas não costuma reagir. Tem alguma lentidão para entender o que lhe dizem assim como para agir. Contudo, uma vez entendido, gravará para sempre a informação. É um músico tranqüilo, a exemplo do instrumentista que toca um contrabaixo em um grupo de jazz ou rock, ou seja, destaca-se pela estabilidade em oposição aos demais da banda. A música ‘Deixa a vida me levar’, de Zeca Pagodinho, revela a fleuma típica. Na Bíblia é representado pelo cauteloso Abraão, que sempre precisou de estimulo externo para agir.


No trabalho é altamente organizado, zeloso, cuidadoso, persistente, tradicionalista e metódico, além de preso às normas. O aspecto negativo é a tendência à morosidade e indecisão. Em contrapartida, aceita como ninguém as rotinas mais rígidas.


Suas características são inigualáveis para artistas plásticos, cientistas, médicos, humoristas, auditores, contadores, diplomatas, professores, pesquisadores, dentre outras atividades que exigem disciplina e dedicação.


Por fim, o temperamento colérico – fogo, possuidor de alta energia e alta excitabilidade, é típico da pessoa aparentemente brava, líder, exigente, cumpridora dos deveres. Gosta de fazer as coisas e de vê-las terminadas. Extrovertido, sua cabeça fervilha de idéias otimistas. Seus olhos brilham irradiando o fogo interior da personalidade.


Quanto à forma de andar, o colérico pisa no chão com passos firmes, com o peso recaindo sobre os calcanhares. Em seu rosto, predomina a mandíbula e o pescoço é curto. É notável neste temperamento o predomínio do querer, que se caracteriza pela tendência de impor suas vontades sobre as dos outros, chegando facilmente a agir de forma impulsiva ou instintivamente. Costuma ter o chamado ‘pavio curto’.


Possui forte vínculo com o futuro e, por isso, precisa agir permanentemente. A energia do corpo necessita ser convertida em ações concretas e em enfrentamentos difíceis. Beethoven é um exemplo de compositor colérico, com suas peças completas e bem definidas. Mais popular, parece convergente o estilo musical de Alceu Valença.


Negativamente, costuma desprezar os que fracassam, toma decisões inquebrantáveis – é ‘cabeça dura’, se impõe acintosamente e tende a ser precipitado. A capacidade de realização aliada ao desejo de liderar e persuadir os demais faz do colérico um empreendedor nato. Dotado de espírito guerreiro, é ele que pavimenta a estrada por onde a humanidade caminhará.


Na Bíblia, Paulo revela as qualidades desse temperamento, antes de conhecer Jesus, quando era implacavelmente cruel com seus oponentes. No trabalho, possui a invejável performance de prosperar debaixo de oposição. Esbanja confiança, tem visão global, insiste na produção, é prático e realiza metas. Opostamente ao fleumático está o colérico. Devemos evitar a forte interação ou dependência mútua no trabalho e na escola, ou não se suportarão.





Publicado no jornal Cinform em 15/08/2011 – Caderno Emprego

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