segunda-feira, 25 de junho de 2012

Roma, Nasa, Jobs: mitos

    Não resta dúvida de que Roma, ainda hoje, exerce grande influência no pensamento universal. O Direito expressa emblematicamente esse fervor cultural secular.  Contudo, existem outros contributos bem mais inusitados, cujo extinto Império nos legou, os quais, por estarem disponíveis na internet, apresentamos a seguir:

    Aqui está o mais puro exemplo de como temos, muitas vezes, de nos adaptar a atitudes tomadas no passado:
A bitola das ferrovias - distância entre os dois trilhos- nos Estados Unidos é de 4 pés e 8,5 polegadas. Por que esse número "mágico" foi utilizado?
Porque era essa a bitola das ferrovias inglesas e, como as americanas foram construídas pelos ingleses, essa foi a medida utilizada.
Por que os ingleses usavam esta medida? Porque as empresas inglesas que construíam os vagões eram as mesmas que construíam as carroças, antes das ferrovias, e se utilizavam dos mesmos ferramentais das carroças.
Por que das medidas (4 pés e 8,5 polegadas) para as carroças?
Porque a distância entre as rodas das carroças deveria servir para as estradas antigas da Europa, que tinham essa medida.
E por que tinham esta medida? Porque essas estradas foram abertas pelo antigo Império Romano, quando das conquistas dele, e tinham as medidas baseadas nas antigas bigas romanas. E por que as medidas das bigas foram definidas assim? Porque foram feitas para acomodar dois traseiros de cavalos!
E, finalmente,o ônibus espacial americano, o Space Shuttle, utiliza dois tanques de combustível sólido (SRB - Solid Rocket Booster) que são fabricados pela Thiokol, em Utah. Os engenheiros que os projetaram queriam fazê-lo mais largo, porém, tinham a limitação dos túneis das ferrovias por onde eles seriam transportados, os quais tinham as medidas baseadas na bitola da linha.
Conclusão: o exemplo mais avançado da engenharia mundial em design e tecnologia acaba sendo afetado pelo tamanho da bunda do cavalo da Roma antiga.

     Ora, amigos, associar a anca do equino ao suprassumo tecnológico humano é um golpe duro nos mortais que gostam de ridicularizar antigos conhecimentos. Por certo, não há salto tecnológico sem fundamento teórico ou realizado a partir do nada.

     A tecnologia possui a própria história numa sequência de cenas interligadas desde a invenção da roda. A fonte da inovação é a interdisciplinaridade, ou seja, o encontro de duas ou mais disciplinas criando uma nova concepção mais rica e complexa. Exemplo concreto é a convergência tecnológica presente no celular, que, além do centenário telefone, agrega inúmeras funções.

     Assim, reconhecer a riqueza de cada fase histórica nos dá mais segurança na própria existência, à medida que compreendemos melhor o presente. Dessa visão global, resultam grandes oportunidades para empreendedores que vislumbram inovações gestadas na interface de áreas até então desconexas.

     Um mestre merecedor de homenagens póstumas é Steve Jobs, fundador da Apple, inovador revolucionário, citado como homem que conseguia ligar ciências exatas a humanas com grande êxito. Ele associou design a funcionalidade, criando o que, à primeira vista, não cabia ser reinventado. Também uniu processadores à poesia e engenharia à arte.

     Jobs fez, a partir da inovação, uma cultura entre os fiéis seguidores da  marca dele. Um modelo de futuro que relaciona tecnologia com mudança cultural, diferentemente de “Os Jetsons” –  desenho animado futurista dos anos 60, que ofertava soluções tecnológicas inimagináveis até para os nossos dias, porém, sem que isso ocasionasse qualquer impacto nos hábitos de seus personagens, uma típica e conservadora classe média americana.

     Onde muitos veem atraso na associação do antigo cavalo romano com a mais notável espaçonave, creio que Steve Jobs douraria a cápsula, recriando desse aparentemente infeliz encontro um novo e indispensável Pégaso – o cavalo alado, símbolo da imaginação sublimada - e um imperdível carro do Sol puxado por cavalos, coincidentemente, conduzido por Apolo. 



     Publicado no jornal Cinform em 25/06/2012 – Caderno Emprego


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