segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Rio 92: o futuro já tem 20 anos



     Neste ano, ocorrerá a edição Rio+20, em junho, na mesma cidade do Rio de Janeiro. Certamente, será um balanço das ações desenvolvidas no cumprimento da Agenda 21, documento subscrito por 175 nações, derivado dos debates e notas técnicas, que recomenda regras harmoniosas de convivência social, ambiental e econômica, ao oferecer bases para que cada país elabore seu plano de preservação ambiental.


      A Rio 92 ou Eco 92 foi, na realidade, a segunda Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Nela, estiveram presentes 108 governantes de países, fato que conferiu a este evento o título de maior reunião de chefes de Estado da história da humanidade. As reuniões menores que se seguiram não obtiveram o mesmo glamour e apresentaram mais divergências que convergências nas suas propostas, a exemplo de Kyoto e Copenhagen.


     Fracassos e expectativas frustradas à parte, devemos reconhecer que a Rio 92 ditou os passos da sustentabilidade e consolidou modelos que hoje estão no repertório dos currículos escolares e nas políticas públicas do Brasil e de muitos outros países. As questões ambientais, sociais e o desenvolvimento sustentável estão diariamente nas manchetes da grande mídia. O conhecimento sobre preservação ambiental está disponível para todos. Infelizmente, a situação ambiental se agravou nesses últimos vinte anos, provando que o conhecimento em si não é suficiente quando carece de atitudes e vontades compatíveis.


     Com efeito, além das significativas questões culturais e da nova visão de mundo que a Rio 92 trouxe, existem dois importantes passos tecnológicos para o Brasil ainda desconhecidos por muitos: o primeiro é a implantação da telefonia celular compatível com outros sistemas em operação nos países centrais. A cidade do Rio de Janeiro, à época, já disponibilizava uma pequena cobertura para alguns poucos telefones celulares, cuja adesão custava US$ 20 mil ao assinante.


     O País vivia um grande embate sobre a liberação de editais de bandas de telefonia celular no STF, porém, a demanda dos participantes da Rio 92 fez com que a Telerj, corajosamente, ofertasse 40 mil novos terminais a preços bem mais competitivos e com sistemas compatíveis com outros celulares no país e fora dele. Nasceu aí a primeira oferta de telefones celulares em escala no país.


     O segundo passo tecnológico é a ligação pioneira da internet fora das universidades brasileiras. As exigências de comunicação do evento, aliadas à presença de 9 mil organizações não governamentais – ONGs - participantes do Fórum Global, evento paralelo à Rio 92, fez com que a Telerj montasse uma linha de comunicação entre a Conferência da Organização das Nações Unidas – ONU - e a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ -, para assim fazer a primeira ligação da sociedade brasileira com a internet.


     A entidade responsável por prover esse acesso inaugural à internet mundial foi o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – Ibase -, fundado pelo sociólogo Hebert José de Souza, o Betinho, falecido em 1997,e pelos economistas Carlos Afonso e Marcos Arruda. A procura pelos serviços de internet foi tão grande que levou o Ibase a desmembrar o programa Alternex, transformando-o em empresa comercial. Assim, enfrentando o distanciamento corporativo universitário da sociedade, a dominadora estatal Embratel e a decadente reserva de mercado da informática, surgiu o primeiro provedor brasileiro acessível ao público à grande rede.


     Como vimos, a Rio 92 trouxe muito mais mudanças do que percebemos aparentemente. Assim, concluímos que essa conferência da ONU representa um ritual de passagem de uma sociedade crente nos recursos naturais inesgotáveis, mas sem celular e internet, para uma sociedade ciente da escassez dos recursos naturais e das inesgotáveis TICs – tecnologias da informação e comunicação –, que tem mais contas de celular que habitantes.


     Se, no Brasil, 20 anos nos separam do passado, então, em Sergipe, o passado é menor de idade, já que essas tecnologias só chegaram por aqui após 1994. Pensando bem, nunca o passado foi tão próximo. 



   

Publicado no jornal Cinform em 09/01/2012 – Caderno Emprego


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